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  • AZORES WINE COMPANY - AÇORES

AZORES WINE COMPANY - AÇORES

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Em cinco anos, a Azores Wine Company, empresa de António Maçanita, Filipe Rocha e Paulo Machado, colo-cou o preço das uvas nos Açores em valores semelhantes às mais caras de Napa Valley. Borgonha e Cham-pagne. De 640 garrafas produzidas no primeiro ano, atingiram as 90.000 garrafas em 2018 e contam subir às 150.000 em 2019 e, mais uma vez, o inconformismo e vontade de fazer diferente de António Maçanita le-vou-o a recuperar uma casta praticamente perdida no arquipélago, o Terrantez do Pico, num projeto conjunto com os Serviços de Desenvolvimento Agrário de São Miguel.A relação de António com os Açores é longa, com uma infância de férias passada em São Miguel e uma ten-tativa falhada de plantar uma vinha em 2000, com apenas 20 anos. Tudo começa em 2008, quando Filipe Rocha, criador do famoso festival gastronómico 10 Fest Açores e diretor da Escola de Formação Turística e Hoteleira de Ponta Delgada, desafiou António Maçanita a trazer aos alu-nos de São Miguel uma nova abordagem aos vinhos. Os workshops de António e posteriores jantares vínicos ajudaram a desenvolver competências de futuro chefs em vinho e em harmonização de vinho e comida. Estas formações conluiam com jantares organizados pela EFTH incentivando os jovens a criar os seus menus e pai-rings que eram depois apresentados aos familiares, convidados e clientes. Pode entender-se que Filipe Rocha foi ensaiando, com alunos, chefs e enólogos convidados, a versão beta daquilo que viria ser o 10 Fest Açores. Um festival iniciado em 2012, na celebração do décimo aniversário da Escola, que convida 10 chefes em 10 dias para servir menus de degustação com produtos açorianos, em que as equipas de cozinhas e sala eram sempre com alunos da escola. Este tempo dedicado à escola permitiu a António gravitar com calma pelos Açores. Essa proximidade permitiu-lhe a descoberta de um campo de experimentação de uma casta que não conhecia por estar praticamente erradicada, a Terrantez do Pico. Ao todo, aquela pequena secção massal foi plantada com base nas 89 plantas que à data foram identificadas no Pico. Segundo Susana Mestre, a res-ponsável à data pelo terreno onde os Serviços Agrícolas de São Miguel estavam a testar a Terrantez do Pico, esta “era uma casta com a qual não se consegue fazer grande vinho e por isso é que quase desapareceu”. Esta frase, aos ouvidos de António soou ao desafio que estava à procura. António Maçanita propôs então aos Serviços Agrícolas desenvolver a casta Terrantez do Pico em troca de poder comercializar 80% da produção. O primeiro Terrantez do Pico foi feito em 2010, numa adega com menos de 50 m2, poucas cubas de aço inoxidável, uma prensa de madeira, e uma boa limpeza nas máquinas cheias de sujidade e muitos improvisos. “Um dia pedi 400 quilos de gelo ao Filipe para arrefecer as cubas e ele conseguiu um camião de gelo para as pescas com quase uma tonelada”. Entre 2010 e 2013, António fez vinho no Pico ainda sob a alçada da empresa Fita Preta. Três anos depois, conhece Paulo Machado, da Ínsula Vinus, na altura presidente da CVR Açores em cena. Um convite da as-sociação Adeliaçor e da Escola de Hotelaria para um workshop de Marketing desaguou na preparação de um documento - Estratégia para o Reposicionamento dos Vinhos dos Açores - que incluía uma componente histórica, uma parte genética que reclamava o Verdelho como a casta original, mãe da Arinto dos Açores e Terrantez do Pico e um pacote de horas de consultoria gratuitas para todos os produtores da ilha do Pico. O único a querer participar neste programa foi Paulo Machado. Por isso mesmo, António ligou-lhe a perguntar se ele queria fazer um vinho em conjunto. É então na adega de Paulo Machado, que produzem vinhos relevantes com outras castas para o mercado como o Arinto dos Açores, o Verdelho o Original que aos poucos começa-ram a colocar Açores no mapa. Em 2014, Filipe Rocha junta-se ao duo e criam a Azores Wine Company, começando negociações para alu-gar um terreno de 32 hectares no Pico. Posteriormente deu-se a aquisição de cerca de 50 hectares de vinhas e mais um projeto de recuperação de vinhas em parceria com cerca de 40 hectares. No total, em 4 anos a empresa recuperou 125 hectares de vinhas na ilha do Pico. Com as diferentes competências dos três interve-nientes, a Azores Wine Company alterou por completo o cenário vitivinícola do Pico. A título de exemplo, em 2004 as vinhas do Pico foram consideradas Património Mundial da UNESCO e até à chegada da Azores Wine Company, em 2014, foram recuperados aproximadamente 250 hectares de vinho na ilha. Apenas cinco anos depois da criação da Azores Wine Company, a ilha conseguiu resgatar mais de 650 hectares, atingindo hoje 1.000 hectares de vinha plantada, cerca de 10 vezes mais que em 2004, mas apenas pouco mais de 15% da área que existiu no passado e deu fama aos vinhos da ilha.Para o futuro dos Açores há muito mais em cima da mesa. Para começar, a finalização da construção da adega, em novembro de 2019, uma adega nitidamente projetada para criar vinhos brancos de excelência, mas que também tem já em atenção a vertente do enoturismo; uma dupla de arquitetos portugueses aliou-se a mais dois arquitetos ingleses para desenvolver um projeto que se enquadre no ambiente circundante e ao Património Mundial. No entretanto, a Azores Wine Company está concentrada em conseguir que a história e a cultura em torno do vinho de cheiro tenha um reconhecimento e um enquadramento legal claro. São vinhas com 150 anos de história, com muito potencial sub-aproveitado e que, desenvolvidas e bem cuidadas podem representar uma revolução muito favorável para o produtor açoriano. Em 2014, a Azores Wine Company lançou um vinho que acabou por ser retirado do mercado: Isabella, A Proibida, cuja descrição explicava: “Salvadora e resistente, a rainha Isabella assegurou desde o ataque da filoxera, no séc. 19, a continuação da vinha e vinho nas ilhas até aos dias de hoje. Para muitos não é vinho! Para nós é cultura, é folclore, é parte dos costumes. Esta “Isabella a Proibida”, coloca em valor a história dos últimos 200 anos, num vinho elegante, aromático, autêntico e simples, como tudo o que é bom!”. A Revista de Vinhos, no âmbito da entrega do prémio Enólogo do Ano 2018 a Maçanita, declarou o seguinte: “(...) numa saudável equação de equilíbrio entre vinhos de perceção imediata e outros, menos óbvios, como o primeiro Branco de Talha que fez no Alentejo em 2010, conquistou um lugar merecido entre os enólogos de uma nova geração. Os olhares da crítica haveriam de fixar-se na magnitude do trabalho nos Açores, agora no Pico, onde alavancou um setor adormecido e afirmou-se estrela que guia. Vinhos de território, com lastro de investigação, que resgatam castas que estiveram em risco de extinção (como o Terrantez do Pico), que mostram um perfil que pensávamos não ser possível nas ilhas de bruma – tensos, iodados, de grande acidez e capacidade de evolução. O ressurgimento dos vinhos açorianos tem António Maçanita como protagonista maior e ele passou a dever ao projeto da Azores Wine Company a confirmação das credenciais de investiga-dor, criador, inovador”. 

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